Carmem mal podia acreditar no programa que estava assistindo na televisão, totalmente ligado à situação por ela vivenciada de modo dramático. O documentário intitulado “Going Clear: Scientology and the Prison of Belief” (Cientologia e a prisão de crença) apresentado pelo canal HBO era baseado no livro de mesmo título, de Lawrence Wright, ganhador do prêmio Pulitzer.

Na mesma linha do G12 que havia enlaçado Carmen em terras brasileiras, nos Estados Unidos e em vários países ocorria o mesmo domínio com outro nome: uma Seita denominada Cientologia. Segundo os depoimentos de ex-membros do alto escalão daquela Seita, aconteciam sérios abusos físicos e psicológicos e controle total da vida dos seus membros, entre os quais fazem parte renomados atores do cinema americano.

A Cientologia, conforme o documentário detalhou, promove a política psicológica do desligamento, uma vez que os seguidores precisam cortar todo o contato com a família e amigos, especialmente se estes atrapalharem, de alguma forma, a participação e obediência aos ditames da Seita. Carmem sabia bem disso, por ter sentido na pele esse processo de exclusão de seus familiares, seguindo os preceitos religiosos do G12.

Os membros da Seita americana, presente em vários países e segundo informado no documentário, são obrigados a revelar tudo de suas vidas particulares. Por conta disso, passam a ser ameaçados com o compartilhamento público de seus segredos se não seguirem plenamente as ordens da Seita. Foi por este tipo de ameaça que um ator americano sentiu-se impedido de desligar-se da Seita: pelo medo de ver seus segredos revelados ao mundo.

Há relatos de trabalhos forçados, inclusive de uma mulher grávida. Crianças começam a trabalhar bem cedo nos espaços daquela Seita. Enfim, os abusos são de toda ordem, conforme apresentado no programa da TV.

Carmem é uma dessas pessoas religiosas, de origem Evangélica por influência familiar, sem frequentar assiduamente nenhuma religião na maior parte de sua vida. Por volta de seus 45 anos, a convite de uma amiga, foi visitar uma Seita brasileira e logo ficou envolvida no que presenciou lá. Sem se aperceber, estava caindo na armadilha denominada G12.

O G12 é um movimento encontrado em muitas linhas Evangélicas, especialmente em religiões não tradicionais, embora em algumas linhas tradicionais haja algum tipo de influência das técnicas do G12. Este movimento surgiu de um Pastor na Colômbia, inspirado de outro da Coreia do Sul. Em regra, o G12 é formatado num tipo de Igreja com células de 12 pessoas, comandadas por um líder.

O comando do líder da célula extrapola os ditames espirituais e atinge os comandados em todos os assuntos. Para tanto, tal como aconteceu com Carmem, os membros de uma célula precisam contar ao líder tudo de suas vidas e de suas famílias, inclusive hábitos sexuais, e seguir os novos padrões por ele impostos, com obediência plena para não sofrer castigos/penalidades como serão relatadas neste artigo.

Antes de voltar ao meu personagem Carmem (personagem fictício, personificando vários depoimentos de pessoas distintas sobre o tema em análise), é preciso esclarecer que as técnicas do G12, além de sua utilização em células (mais comum), são aplicadas, também, para grupos maiores, em cultos celebrados em Igrejas que adotam influências do G12, (especialmente igrejas independentes, menos tradicionais), se bem que algumas igrejas com grande estruturação fazem, igualmente, uso do forte poder das técnicas psicológicas do G12.

Os métodos do G12 compreendem técnicas psíquicas e de hipnose, as quais são utilizadas para impressionar os participantes. Essas técnicas, a bem da verdade, podem ser realizadas por quaisquer pessoas com conhecimento sobre o tema, só que a utilização em algumas igrejas visa ao condicionamento mental, ludibriando a boa fé das pessoas.

Coincidentemente, Carmem presenciou uma de minhas conversas num grupo de pessoas. Naquela oportunidade, comentei sobre técnicas de hipnose, uma das quais presenciadas por mim há alguns anos, quando um parapsicólogo fez com que várias pessoas, num grande auditório, tivessem os dedos de uma mão entrelaçados aos dedos de outra mão, presos, sem conseguir desatá-los.

Esta técnica hipnótica, é bom esclarecer, não atinge a todos, porque várias não permitem ser sugestionadas – haja vista as características próprias de cada ser – assim como nem todas as pessoas conseguem ser submetidas às regressões de memória, mesmo para tratamento de suas patologias, com o resultado eficiente que a regressão pode oferecer.

Em face do comando daquele parapsicólogo, muitos acabaram mentalmente dominados e não conseguiram desfazer o entrelaçamento dos dedos. Eu não ficara com as minhas mãos presas. Sou daquelas pessoas que não conseguem, também, ser submetidas às regressões de memória conscientes. Somente durante o sono e de forma natural ocorre, comigo, a regressão e a saída em desdobramento. Certo é que eu testemunhei, ao meu lado e ao longo do auditório, diversas pessoas, de várias idades, desesperadas, querendo separar as mãos, o que foi possível somente após novo comando do parapsicólogo.

Carmem ouviu tudo, calada, mas, uma tremenda coincidência dar-se-ia naquele dia. Na sua igreja, que adota muitas técnicas do G12, o Pastor utilizou-se da mesma técnica hipnótica comentada por mim, só que inteiramente desvirtuada, porque ele disse que as pessoas com as mãos presas eram aquelas com débitos emocionais com alguém, ou seja, em pecado. Eis o pior: as pessoas, com as mãos presas, foram levadas para frente, no templo, expondo-se para todos, como se somente elas tivessem débitos de relacionamento e os demais fossem perfeitos. Utilizou-se, tão somente de uma das técnicas de hipnose, quando simplesmente uns podem ser atingidos pelo comando hipnótico e outros não, razão pela qual entendo que as afirmações do Pastor não se sustentam, requerendo maior e concreta fundamentação.

Depois de liberar as pessoas ridicularmente expostas, o Pastor fez o tradicional pedido de doações, o que muitos atenderam prontamente, mesmo aqueles com dificuldades financeiras, uma vez que se sentiram impelidos a contribuir com aquele Pastor que, aos seus olhos, tinha tantos “poderes espirituais, quiçá divinos”, mas que, em verdade, estava apenas utilizando-se de uma simples técnica de hipnose coletiva e de forma absurdamente equivocada.

Mesmo sabendo da técnica, Carmem, já muito influenciada por diversos condicionamentos mentais do G12, não conseguiu ver toda a maldade ali perpetrada e bem diante de todos. Tudo não passara de uma técnica, usada como truque para impressionar os membros. Entretanto, uma suspeita havia brotado em seu pensamento, porque ela se lembrou do que eu havia falado, coincidentemente, naquele mesmo dia sobre a hipnose de prender as mãos com dedos entrelaçados, exatamente como ocorreu em sua igreja.

Eu havia, também, comentado ao grupo sobre outra técnica hipnótica, que leva as pessoas a um tipo de desmaio, apenas ao se colocar a mão na cabeça e, às vezes, acontece o desmaio sem precisar do toque. Carmem então associou ao que o Pastor de sua igreja e de outras fazem, tocando nas pessoas, ocasionando desmaio, com a alegação de que demônios lhes foram tirados, sendo que, mais uma vez, o que ocorreu foi a utilização apenas de outra técnica de hipnose e, no caso, com requinte de crueldade, humilhando as pessoas que são susceptíveis de serem hipnotizadas, ao dizer que elas estavam com alguma presença maligna em seus corpos, tudo para, novamente, impressionar as pessoas e em seguida, praticar os tradicionais pedidos de doação.

Estas técnicas hipnóticas têm a ver com o G12. Embora mais comumente utilizadas em formato original, em células com 12 participantes apenas. Há momentos e vem acontecendo corriqueiramente, estas técnicas são utilizadas, também, para todos os membros de determinadas igrejas, com o intuito de ludibriar os seus membros.

Estas Seitas (aqui no sentido de igrejas independentes) promovem encontros, por vezes em finais de semana, um tipo de retiro e, em outros momentos, realizados no próprio templo em dias de semana, com o fito exclusivo de empregar as técnicas de subjugação mental aos participantes, quando é dado relevo ao sensacionalismo, ao suspense e a muitos procedimentos de lavagem cerebral, inclusive, com utilização de músicas contendo letras curtas e repetidas exaustivamente, para gerar o devido condicionamento mental, total submissão do participante ao seu líder, no caso de célula ou ao Pastor, se em ambiente maior, em cultos mais abrangentes.

No caso de células, quando os membros estão totalmente catequizados, mente dominada, é escolhido um dos 12 para comandar uma nova célula, tudo com a finalidade de multiplicar os seus membros e, logicamente, aumentar a arrecadação. Com esta metodologia, as Igrejas vêm apresentando crescente número de membros.

Após aumentar a desconfiança com os meus alertas, Carmem contou-me que passou a desconfiar de tudo aquilo, ainda mais ao perceber que o líder de sua célula exigia tarefas constantes. Caso não fossem cumpridas, ela tinha, obrigatoriamente, de fazer pagamentos de valores previamente estipulados (como multa ou castigo), os quais eram de grande monta. Uma das missões, constantemente cobradas aos membros de sua célula, era trazer para a Igreja, em determinadas datas, às vezes até semanalmente, pelo menos 10 novas pessoas. Mesmo quando ela conseguia trazer 9, que já seria um feito, isso não era considerado para fins de meta. Consequentemente, ela tinha que fazer o pagamento integral do valor estabelecido como “castigo”.

Carmem disse-me que gostaria muito de ter recebido o meu alerta antes, razão pela qual resolvi escrever e compartilhar tudo que fiquei sabendo sobre o tema, pois, segundo ela, se tivesse conhecimento prévio, não teria havido os estragos grandiosos e, muitos, irreversíveis que ocorreram em sua vida.

Uma dessas graves consequências foi de ordem financeira. Seu marido comprava e vendia imóveis. Carmem tinha a incumbência de aplicar da melhor maneira os valores obtidos com as vendas, considerando que ela entedia bem do assunto. Infelizmente, muitos dos valores oriundos das vendas dos imóveis foram inteiramente “doados” para a sua Seita. Somente mais tarde os desvios dos valores foram percebidos pelo marido, com perdas irreversíveis.

Além da danosa questão financeira, o efeito perverso pior foi mesmo o condicionamento, levando-a a não dar nenhuma importância mais à família, visto que somente a igreja, o Pastor, o líder da célula eram importantes em sua vida.

Como ela e os demais membros da célula foram levados a toda sorte de submissão, ela teve de contar, inclusive, como era a sua vida sexual, sendo orientada sobre o que deveria fazer e o que não poderia, o que gerou efeito negativo em sua vida conjugal. Uma intromissão íntima incabível.

Quando, enfim, ela conseguiu perceber a areia movediça em que se metera, ela pôde, ainda que com grande dificuldade, sair de lá. Entretanto, a família não era mais a mesma, não havia mais a harmonia de antes; o marido não lhe nutria confiança, não havia mais casamento. Precisou, então, apoiar-se em ajuda profissional, tomar remédios e até hoje, passado algum tempo, ela é apenas uma caricatura do que fora, com personalidade abalada e um medo de tudo. Sofre da síndrome do pânico, não sabe mais o que é viver. Afinal e infelizmente, muita coisa lhe fora tirada, inteiramente roubada, não apenas de cunho material, mas, psicológico e social.

Ainda que se tenha libertado da Seita, seus efeitos danosos persistiram, razão pela qual, infelizmente, confidenciou-me: ela continua escrava. Tem hoje certeza que se metera em um caminho inteiramente errado, foi vítima do mal, que não é do céu, nem de Deus, verdadeiramente de origem maligna.

Por ser segredo absoluto, os membros participantes do G12 não podem falar com nenhuma pessoa, nem com familiares, sobre o que vivenciam nos treinamentos. Aqueles, como Carmem, que conseguiram sair, escaparam do aprisionamento mental, acabaram contando um pouco do que passaram durante os treinamentos. Eles eram obrigados a contar tudo que fizeram na vida, todos os “pecados”. Assim, ficavam inteiramente nas mãos dos líderes, em face de informações privilegiadas e em virtude do medo, considerando que, de modo discreto e implícito, os participantes se sentiam ameaçados de terem revelados os seus pecados, seus segredos, caso não realizassem o pagamento devido a título de multa, castigo ou promessa de contribuição sistemática.

Esta situação foi mais uma das encrencas vividas por Carmem. Ela revelara ao líder que, em dado momento de sua vida, tivera um caso extraconjugal. Com receio de que seu marido soubesse, cumpria plenamente as absurdas exigências, tanto que valores elevados, oriundos das vendas de imóveis, foram desviados de seu patrimônio para pagamento à Seita.

Esta situação não tardou a estourar, visto que o seu marido cobrou dela os valores aplicados e ela não teve como esconder mais, pelo menos a questão financeira, quando revelou as vultosas doações à Seita, o que gerou destruição do seu casamento, por quebra total de confiança.

Mesmo com todo conhecimento e estudo, uma pessoa esclarecida – como era o caso de Carmem – pode cair no conto do G12. Com mente condicionada e pelas pseudo “profecias” do Pastor, as pessoas sucumbem emocionalmente, ficam com medo e enredadas. Embora os dons proféticos possam ser naturais em muitas pessoas, independentemente de elas terem ou não religião, as proferidas pelo Pastor continham unicamente o propósito de gerar medo, como uma vez lhe fora dito para ficar certo final de semana longe do mar, porque o oceano iria invadir o continente, o que, é claro, não aconteceu. Carmem, desesperada e confiante no seu líder, passou o final de semana em uma cidade longe do litoral onde ela reside. Como nada aconteceu, o Pastor disse que Deus ouviu as suas orações e desviou o acontecimento (sempre há uma tática de engodo).

O que mais Carmem me revelou com o intuito de ajudar a que outras pessoas não sejam manipuladas como ela fora por tanto tempo? Disse-me:

Ocorriam dias de isolamento como método para a conversão. Embora por vezes os treinamentos acontecessem na própria igreja em tempo diário menor; em outros momentos, os encontros realizavam-se em sítios ou locais afastados com maior duração, durante finais de semana, onde todos os participantes eram vigiados, somente liberados para o banheiro, mas, sequer poderiam conversar entre si fora das reuniões. Isso para que ninguém levantasse e compartilhasse desconfianças sobre o que estavam sendo catequizados.

Com larga carga horária, o cansaço vinha inevitavelmente (físico e mental), momento em que a conversão acontecia integralmente, porque é quando as pessoas, pela exaustão, acabam assimilando tudo sem questionar, perdendo toda e qualquer capacidade de discernimento e controle de rejeição sobre o que não é devido.

Outro aspecto trabalhado nos encontros é a insegurança. Com várias técnicas, é gerada a tensão e, consequentemente, incertezas ligadas às convicções prévias de cada um, inclusive religiosas. Neste momento, os participantes são obrigados a relatar os mais íntimos segredos, com ênfase na culpa e medo. Há casos que falam na frente de todos, só que ao mesmo tempo em que relatam seus “pecados”, eles são atacados pelos líderes do encontro, o que gera um tipo de transe mental de proteção. Os participantes ao tentarem fugir do grande constrangimento, acabam ficando ainda mais sugestionáveis, momento em que as mensagens transmitidas pelos líderes vão direto para o inconsciente, ocorrendo, então, verdadeira lavagem cerebral.

Não é por acaso que acontece, a partir desse momento, o que podemos chamar de “Síndrome de Estocolmo”. Os convertidos são tão intimamente humilhados, que passam a admirar e até a desejar sexualmente os seus controladores.

Neste contexto, os participantes são levados a crer que o verdadeiro arrependimento dos pecados somente acontece com quem, como eles, participam dos encontros do G12, evidenciando equívoco absoluto desta concepção. Os participantes, porém, por tamanho envolvimento mental e em grau profundo, não conseguem perceber.

Outro procedimento do G12 é aquele denominado de “quebra da maldição”, quando os participantes se põem no lugar de seus pais, avós e outros familiares, com o intuito de quebrar todas as maldições do passado. Mais uma vez, fica evidenciado total desconhecimento sobre o tema, sendo os participantes levados a crer em absolutas inverdades.

Para a libertação dos pecados, além de compartilhar publicamente com os participantes da célula e dos líderes, os pecados devem ser escritos em papel e, depois de cânticos e danças, estes são jogados no fogo para queimar, lembrando bem enfoques pagãos e inteiramente inúteis, porquanto não é um ritual que libera as pessoas do pecado. Sabemos que os chamados pecados se transformam em carmas e os carmas podem, realmente, ser transmutados, mas, com ações de amor e ajuda ao próximo, não como mero ritual.

Ainda dizem que, para a cura interior, é preciso imaginar todas as rejeições e pecados do passado, libertando-se dos causadores, sejam acontecidos na infância ou em época adulta. Para tanto, é preciso perdoar o pai, a mãe e outros familiares, inclusive, (veja que absurdo?) deve perdoar, também, Deus (o que isso significa?). Mais uma técnica sem lógica alguma, mas que, os envolvidos não conseguem perceber a realidade e tudo lhes parece acertado, mesmo quando se trata de incrível absurdo.

Os participantes, em formato de trenzinho, andam e cantam levando bandeiras nas mãos; dançam como se estivem em um palco; colocam a mão em uma tocha, para serem abençoados; fazem a unção de um óleo, para receberem a bênção de Deus. Alguns caem no chão, vítimas de técnicas hipnóticas já referidas anteriormente.

Tudo isso faz parte do processo de lavagem cerebral e pode, assim como aconteceu com Carmem e com tantas pessoas submetidas ao condicionamento do G12, gerar, em curto espaço de tempo, como consequência, um estado de descompasso emocional, havendo casos em que se faz necessário até internamento, além do uso de medicamentos para sempre ou por algum tempo.

Não se pode imaginar que somente pessoas emocionalmente fracas sejam as tragadas pelas técnicas do G12. Todos podem ser vítimas, mesmo os bem preparados. Digo isso porque certa vez uma antropóloga foi a um desses treinamentos, infiltrada, para ampliar seus estudos, só que as técnicas e as músicas, maquiavelicamente empregadas, fizeram com que a pesquisadora, em dado momento, sem saber como, acabou dançando, em transe, no meio do grupo, sem intenção consciente de fazê-lo.

É de se concluir que pessoas resolvidas psicológica e espiritualmente, ainda que ligadas às religiões tradicionais e sérias que não se utilizam desses subterfúgios, ao participarem de um treinamento do G12, seja como curiosos, expectadores ou pesquisadores, podem perder seu controle mental, tamanha a eficiência maligna das técnicas, e dizer, depois, como muitos o fazem, que tudo “foi tremendo!” Sem saber que foram vítimas de pura lavagem mental por intermédio de técnicas psicológicas e hipnóticas.

Os idealizadores do G12, de igreja em células, dizem que a origem do Cristianismo era assim, que as crenças eram professadas desse modo pela igreja primitiva. No entanto, equivocam-se porque na origem do Cristianismo, especialmente quando era proibido pelo Império Romano, os cristãos realmente reuniam-se em pequenos grupos e, se assim o faziam, era somente para dificultar serem descobertos, ficando na clandestinidade, mas, sem nenhuma manipulação mental como agora se faz.

Não há em nenhum livro espiritual sério, nem tampouco na Bíblia, referências a que as religiões devam ser processadas em células, sendo esta formação nascida da ideia de uma pessoa, não para facilitar os estudos religiosos (que até seria cabível), mas, porque é muito mais fácil dominar mentalmente um grupo pequeno do que fazê-lo em grandes aglomerados, se bem que muitas técnicas de controle mental já estão, infelizmente, sendo utilizadas em grandes templos com êxito assustador.

A ideia de igreja em células e, especialmente, o G12, não passam de ideias humanas, com interesses questionáveis e perigosos, bem longe dos interesses espirituais legítimos, como se deve esperar das religiões (religião em seu sentido mais amplo, do verbo latino “religare”, ou seja, religar o homem a Deus).

Temos Jesus como figura marcante e como modelo relevante e único a ser realmente seguido pelos Cristãos. Ele jamais frequentou templo algum, a não ser uma vez quando jovem, ao demonstrar surpreendentes conhecimentos espiritualistas e, tempos depois, já adulto, quando foi a um templo para quebrar bancas de comerciantes lá instaladas.

Hoje, infelizmente, este comércio continua acontecendo e, agora, com requintes macabros de manipulações psicológicas, enredando seus membros inteiramente, levando-os a fazer doações cada vez maiores e sofrerem doenças emocionais.

Em muitos templos são vistos pedidos de valores cada vez mais ostensivos. Pedem dinheiro, cheque, débito automático, joias, incluindo os mais humildes, desempregados, dizendo que, ao fazerem doação, receberão, em troca, fartura financeira e muito mais, como se houvesse uma barganha. Essa fartura de fato acontece apenas e, certamente, para quem recebe as doações, visto que os pedidos podem chegar a valores elevados, tal como ocorreu certa vez, quando foi pedida uma doação de mil reais somente por um pouco de suco de uva “ungido”.

É importante a liberdade religiosa e ela precisa ser preservada, até porque é preceito Constitucional. Contudo, é igualmente necessário que setores organizados da sociedade e até as autoridades fiquem atentos aos inúmeros abusos que vêm acontecendo em templos religiosos, conforme vídeos que circulam em redes sociais, verdadeiros estelionatos acontecidos após o emprego de técnicas de controle mental e emocional em seus membros.

Quando Jesus esteve na Terra falou uma frase que vem sendo totalmente mal interpretada: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Ao primeiro (ao governo) fica claro que Jesus se referia aos impostos. Já no tocante a Deus, o que Jesus quis provavelmente dizer é que se Lhe deve destinar o processo de evolução espiritual – não dinheiro ou dízimo – porque Deus não necessita de dinheiro algum, esperando de nós a nossa determinação para a iluminação espiritual.

É preciso orar e vigiar, atenção total porque se multiplicam os falsos profetas, sendo tempo urgente de ver com olhos espirituais, porque o céu a ser conquistado não é através de pagamento de dízimo e doações religiosas. O céu verdadeiro a ser buscado aqui e agora está dentro de cada pessoa. O caminho a ser trilhado é a prática do amor em prol de tantos necessitados, amor incondicional tão bem inspirado e exemplificado pelo Mestre Jesus.

Para concluir esta triste história de Carmen e de tantos que estão sendo vítimas, termino com um texto de Pierre Teilhard de Chardin, Padre Jesuíta, Teólogo e Filósofo francês que escreveu sobre a dicotomia existente entre a religião e espiritualidade, alertando-nos que:

“A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: “aprenda com o erro”.
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto, é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga, nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de união.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você precisa buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz conscientes da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.”

Luz, amor e conhecimento.


Moacir Sader

Moacir Sader é Terapeuta de Regressão e Mestre de Reiki Usui, Karuna e Chama Violeta, credenciado como Terapeuta holístico sob o número CRT48508, licenciatura em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo, pesquisador e escritor de temas ligados à espiritualidade e autor dos livros: O Poder do Reiki; Reiki & espiritualidade; Torusthá novo símbolo ensinado por Jesus; Conspiração interdimensional, Anunnaki deuses da Terra, entre outros.

2 comentários

giovanni · 29 de dezembro de 2017 às 00:16

òtimo! é preciso divulgar essas informações pois todos somos vulneráveis e poucos estão preparado para o enfrentamento dessa perigosa realidade.

    Moacir Sader · 29 de dezembro de 2017 às 10:07

    Grato, Giovanni, por seu comentário. Realmente temos que ficar atentos e conhecer o assunto, porque o perigo é real e está acontecendo em larga escala. Abraços,

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *